O Raval e suas pequenas histórias

O Raval é aquele lugar de Barcelona onde acontecem casos assim: estamos um colega e eu sentados em uma terraza com brasileiros de visita, tomando um café ou uma cervejinha, quando se aproxima alguém que vive na rua pra dizer um oi a meu colega, e no exato momento em que a pessoa chega junto, reação brasileira: susto! Agarra a carteira! Eu dou risada. Não porque aqui não exista ladrão ou trombadinha, mas porque depois de tanto tempo até eu estou começando a conhecer essas pessoas pelo nome.

Outro dia estava sozinha sentada na terraza do meu bar de lanches preferido da Rambla del Raval e aparece essa mulher, morena, em cadeira de rodas, com um sutiã pinki (sim, ela levava a camiseta aberta) e os olhos contornados por algo azul brilhante. Me diz se eu tenho uma moeda. Pra quê? Acaso importa? Eu respondi que não tinha nada (e era verdade), havia gastado tudo em um suco e batatas fritas (e que delicia que estava, nham!). Ela falou: nem que sejam 5 centavinhos… Eu vou te presentear com um desejo! Te concedo um desejo! Fecha os olhos.
Ela botou o dedo decidido entre meus olhos e disse vamos, mulher, vc tem que saber o que deseja na vida! Eu ri, desejei, e dei meus 5 últimos centavos a ela. E não, não desapareceu nenhuma das minhas “propriedades”.

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O Raval também é o lar doce lar do Gato Do Botero. Todo mundo adora! Todo mundo tenta subir nele! Ele é fofo demais! Mas nem todo mundo sabe que ele tem uns ovinhos debaixo do rabo. Sim, uns cojones, umas bolas. O Gato Do Botero não deixa dúvidas sobre seu gênero. Antes ele vivia em Drassanes, quando o Raval ainda não tinha Rambla.

A prefeitura comprou o bonachão em 1987 quando a Rambla del Raval ainda era uma infinidade de casas e não escorria nenhum riacho ou água de chuva por la (é dai que vem a palavra Rambla). Até o Pla Central del Raval, claro, que foi um planejamento urbanístico com a intenção de melhorar a qualidade de vida e oxigenar um pouco os espaços do bairro (lá é tudo meio apertadinho).
Naquela época nosso lindo gatinho vivia no parque da Ciutadella. Ficou um tempo por lá até que virou estrela das olimpíadas, foi levado ao estadio olímpico em 92 (ou vcs achavam que só o Cobi é digno de umas olimpíadas catalãs?!). Mas sua jornada não parou aí, o coitado foi desalojado e mandaram ele pra uma praça chamada Blanquerna, em Drassanes. O pobre gatinho foi enviado pra uma vida pior que a dos amigos do Mandachuva, junto aos moradores de rua no jardim Baluard, desconhecido pra muita gente.

Até que chegou 2003, e a prefeitura vestiu a roupa de assistente social pro Gato (não tanto pros indigentes), levando ele ao seu lar desde então, onde vive feliz com crianças todo dia brincando com seus bigodes e incontáveis adultos fazendo fila pra conseguir uma boa foto com nossa estrela: O Gato Do Botero com seus bogodinhos e seus ovinhos dourados.

el gato

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