Vira e mexe alguém faz questão de me lembrar que este blog ainda existe. Eu sempre respondo a mesma coisa, que está abandonado às traças cibernéticas, sempre variando um pouco no vocabulário que uso para definir este mundo virtual, de acordo com o que me vem primeiro na cabeça. Mas parece que as traças cibernéticas não são tão eficientes em seu trabalho, quanto às traças de carne e osso (?), de não deixar traço algum de escrita (será por isso que se chamam traças?).
O Google (ou eu mesma) parece insistir em manter vivo e disponível este pequeno livro de memórias para que os viajantes (na minha época se dizia navegantes) desavisados de que as traças virtuais deveriam estar comendo este blog possam talvez desfrutar, ou no mínimo matar a curiosidade, das memórias pessoais desta que vos escreve tantas bobagens.
Claro, pra mim é no mínimo interessante ler hoje, depois de pouco mais de um ano vivendo em Bcn, minhas impressões e sentimentos iniciais… mas o que eu descobri é que quando a vida começa a correr percebo muito menos os detalhes de cada dia. Nas últimas semanas, o mais interessante que me dei conta de descobrir é que o parque Guinardó, lá no alto, é lindo no por do sol e que no hospital, na sala de espera existe uma revista que se chama Sala de Espera, assim mesmo em espanhol.
Quando a gente vive por muito tempo na mesma cidade, por mais interessante e diferente que seja, nos acostumamos, da mesma forma que o homem se acostumou a viver no mar na história que acabei de ler do Mutarelli. E então, quando isso acontece, damos mais relevância para nós mesmos, para o rumo de nossa vida, para a razão de nossos sentimentos, para as pessoas que mantemos ao nosso redor, que para o lugar por onde passamos a cada dia. E essas impressões são pessoais demais para apresentar a um público indefinido e, por que não, infinito de viajantes.
E as pessoas que estão distantes também passar a criar um interesse distinto por você que está longe. Então a conexão virtual muda. E o blog acaba sendo abandonado por ambos os lados.
Mas assim como aquelas fotos guardadas dentro do armário, o blog está aqui guardado sei lá aonde desse mundo que para mim é abstrato em sua realidade quase palpável. E eu, da mesma forma que todos fazem com as fotos, mantenho ele na memória, para ser tocado quando o assunto aparece.







